Um das vozes mais críticas contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o senador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos (PMDB) se recusou de participar da votação da MP dos Portos no Senado nesta quinta-feira (16). “Não me animei a ficar lá, feito um idiota, contestando aquilo tudo”, disse o senador em entrevista ao blog de Josias de Souza. “Achei melhor me aborrecer vendo pela televisão.” O senador classificou a polêmica votação de “farsa” e defende que o Legislativo brasileiro vive nos dias atuais “uma situação pior do que a que atravessamos na época da ditadura.”
Na oposição ao PT desde a gestão do presidente Lula, Jarbas também criticou a aliança do seu partido com os petistas. Argumentou que o maior partido do país, o PMDB, está se “curvando” a todos os desejos do governo federal. “O PT determina o que o PMDB tem que fazer e o PMDB se subordina a isso. É uma coisa muito complicada, porque se esperava uma postura mais impetuosa e independente do partido, mas o PMDB hoje é manobrado”, diz.
Por que não permaneceu no plenário?
Fui ao plenário para registrar minha contrariedade com o absurdo a que o Senado foi submetido. Renan disse que, a partir de agora, não recebe mais medida provisória a menos de sete dias de vencer o prazo de validade. Afirmou que essa MP dos Portos seria uma excepcionalidade. Admitiu que é uma aberração. Mas recebeu. Não tenho nenhuma razão para acreditar nele. Na semana passada, o Senado já havia votado uma medida provisória recebida na véspera, sem respeitar nem o prazo mínimo de 48 horas. Foi dito que aquilo era uma exceção, que não se repetiria. Antes, na votação do projeto de lei que inibe a criação de partidos políticos, foi feita uma votação simbólica. Eles perderam. Renan fingiu que não viu. Foi preciso pedir votação nominal para derrubar a sessão por falta de quórum. O STF depois suspendeu a tramitação da proposta. Como podemos dar crédito a esse tipo de gente?
Não se animou a enfrentar o embate dos portos?
Nunca fui de fugir de embates. Mas esse embate eu já sabia o resultado. Por isso, não vi razão para permanecer em plenário. Ao contrário do que fez o presidente da Câmara, Henrique Alves, que conduziu a votação com decência, o Renan já havia deixado claro na véspera que iria atropelar. Não me animei a ficar lá, feito um idiota, coonestando aquilo tudo. Vim para casa. Achei melhor me aborrecer vendo pela televisão.
Do modo como fala tudo parece reduzir-se a um teatro, é isso?
Sem dúvida nenhuma. É uma farsa. Uma farsa comandada por alguém que não tem credenciais para que ninguém acredite nas suas boas intenções. Além disso, o teatro dessa vez é de horrores.
Que horrores?
Eu assisti pela televisão a um debate de altíssimo nível entre duas figuras de reputação ilibada. Um responde a um processo no Supremo Tribunal, o outro está condenado, em primeira instância, por formação de quadrilha. Todos os dois acusam o governo de ter colocado penduricalhos dentro da chamada MP dos Portos.
Refere-se aos líderes do PMDB, Eduardo Cunha, e do PR, Anthony Garotinho?
Sim, todo mundo viu. Foi televisionado. Como é que eu poderia votar isso aqui, sem tomar conhecimento e sem poder emendar? Como é que o Senado da República vai votar uma medida provisória em que duas pessoas de alto nível, de reputação ilibada, lá da Câmara, dizem que esta MP não presta, que esta MP atende a pessoas, a grupos e a empresas? Não dá.
(Com informações do portal Brasil247| Foto: Reprodução)
Publicado por Elba Galindo às 11:20h